A resistência do analista

Há momentos nos quais a resistência do analista se torna tão evidente que é impossível para aquele que escuta ignorá-la. Trata-se de uma experiência subjetiva que pode levar à impossibilidade de escuta, beirando à surdez objetiva, como se a única coisa praticável fosse desprezar o que o analisando está narrando. São episódios incômodos para o analista. Esses momentos podem estar presentes em toda modalidade analítica, seja no consultório particular, na instituição ou no acompanhamento terapêutico, ou ainda, diante de quaisquer sujeitos, neurótico, psicótico ou perverso. Dentre as ocasiões, nas quais tive essa experiência clínica, destaco a escuta de adolescentes envolvidos com o crime. Horro

Dos entre-ditos da clínica no hospital e do filme A Vida é Bela: uma nova articulação

“E falam as flores que tanto amas quando pisadas, falam os tocos de vela, que comes na extrema penúria, falam a mesa, os botões, os instrumentos do ofício e as mil coisas aparentemente fechadas, cada troço, cada objeto do sótão, quanto mais obscuros mais falam”. (Drummond, 1945) É em torno dos atravessamentos daquilo que Lacan nomeou como o Real – o impossível de dizer – que se desenrola a trama do filme A Vida é Bela (1997), dirigido por Roberto Benigni, na qual o personagem Guido (Roberto Benigni) e seus familiares (esposa- Dora e filho – Giosué) são sobressaltados com a crueldade do campo de concentração. Esse cenário da guerra, da iminência da morte, metaforicamente, nos ajuda a pensar s

Algumas reflexões sobre ser psicanalista

Ao longo de minha formação em Psicanálise sempre me deparei com relatos sobre “o que era ser psicanalista”. Algumas pessoas diziam: psicanalista é aquele que olha para você e interpreta tudo, ou aquele que faz cara de paisagem. Esses comentários aparecem no imaginário social, criando um estereótipo que oscila entre “aquele que sabe tudo sobre o sujeito só de olhar, que está sempre analisando”, como num passe de mágica, e “aquele que não diz nada e apenas faz uma cara enigmática”, quase como uma estátua. Então, como trabalho a partir da Psicanálise, sempre me foi apresentada inúmeras definições do que é ser psicanalista, e isso me fez questionar: é possível dizer que há um símbolo ou um regis

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