O Aprendimentos Clínicos surge como uma aposta coletiva na escrita e na transmissão da clínica psicanalítica. Trata-se de uma tentativa de colocar em texto aquilo que da experiência clínica nos toca, de bordejar aquilo que excede da escuta diária de cada um de nós no consultório particular, na instituição de assistência social e de saúde, no acompanhamento terapêutico e em nossa própria formação como analistas, sustentada a partir da nossa análise pessoal, supervisão clínica e estudo teórico.

 

Não é sem um frio na barriga que o desejo de compartilhar aquilo que vivemos e pensamos no cerne de certas relações transferenciais - com os pacientes, com os nossos analistas e supervisores, com a leitura de Freud, Lacan e seus sucedâneos -  que este trabalho é posto em prática.

 

Frio na barriga próprio do encontro com o não-saber que ultrapassa nossa apreensão da experiência clínica, aqui colocada em palavras, visando à produção de um saber que seja autoral. Uma autoria que envolve a busca de dizer de nossa afiliação simbólica à Psicanálise e, ainda mais, de um encontro com a possibilidade de autorizar dizer por si próprio - sendo é claro, acolhido por alguns outros.

 

Em um primeiro tempo, deparávamos com um desejo quase que irrealizável: escrever e revelar-se pela escrita a um Outro. Esta figura avaliadora, produto de nosso próprio imaginário, fazia-nos ceder de nosso desejo. Nada mais, digamos, anti-psicanalítico. Se a análise se direciona ao ponto de nos fazer sustentar nosso desejo, não poderíamos mais, em um segundo tempo, continuarmos nos privando de colocar o desejo da escrita em ação.

 

Para que isto se tornasse realidade, agora, em um terceiro tempo, necessitamos de um encontro, um bom encontro entre cinco psicanalistas. Desse encontro, se formulou um coletivo, no qual cada um auxilia o outro a sustentar a si mesmo no ato de escrever. Algo muito psicanalítico, já que Freud revelou que não existe sintoma que não se articule ao Outro e, tendo Lacan como confirmador, que o desejo pode ser retirado das sombras pelo encontro com um Outro que o escute e o possibilite ser assumido. Disso, os analistas dão provas há mais de um século, acolhendo sujeitos que se veem impossibilitados de assumir e de se reposicionar diante daquilo que lhe é mais íntimo e os determina. A escrita também nos determina enquanto psicanalistas.

 

É no bojo desta aposta, da passagem por esses tempos e do encontro com colegas e amigos tão interessados em se fazer ouvir pela escrita que damos o ponta pé inicial em nosso projeto. Esperamos que o Aprendimentos Clínicos nos leve a novos bons encontros e boas partilhas com aqueles que, tal como nós, se decidiram pela psicanálise.

 

Carolina Ribeiro

Christopher Rodrigues Anunciação

Darlene Ribeiro da Silva

Gabriel Bartolomeu

Isabela Ledo

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